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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Carta para Arthur

Filho,

Tem dias que a mamãe ensaia em te dizer algumas coisas. Na verdade quase 4 anos!
Antes de você nascer, rascunhei uma carta, que sei lá porque motivo não chegou a ficar pronta.
Agora, com a proximidade de seus 04 anos de vida, resolvi arriscar...
É fato que você deixou de ser o meu bebê. Eu nem percebi... mas aconteceu!
Basta olhar uma foto sua e me espantar em como aquela fofurice de bebê ficou para trás. As perninhas grossas, o rostinho rechunchudo, as bochechas boas de apertar!
Basta ver que você já não cabe no meu colo - tudo bem que isso nem é muito difícil em se trantando da baixa estatura da mamãe... mas enfim!
Dia desses eu te aninhava nos meus braços e te ninava até que pegasse no sono.
Agora não. É dar banho, colocar pijama, escovar os dentes e você mesmo toma a iniciativa de correr para a cama (a nossa) e dormir...
Não sei quantas vezes na noite a gente precisa te devolver para o seu quarto. A gente insiste em te devolver. Você insiste em voltar. Determinado de que é ali, entre eu e seu pai, o seu lugar. É sim, filho. Seu lugar é entre a gente. Mas não durante a noite... e eu sei que você vai acabar compreendendo isso... mais cedo ou mais tarde!
Tá bom, tá bom! Eu confesso que é uma delícia dormir com você, sentindo sua respiração e seu corpo tão pertinho do meu. E eu acho que você é tão esperto que já percebeu o quanto eu gosto e por isso tá sempre voltando.
Sim! Você é muito esperto! E é tão inteligente que a gente acaba se espantando algumas vezes. As tias da escola já desistiram de se surpreender com suas façanhas! Reconhecer todas as letras do alfabeto, os números, as formas geométricas, as cores. A maioria delas nem trabalhadas na turma ainda...

Na consulta com a neuropediatra ela nos alertou ao fato de que devemos tratá-lo como um menino de quase 4, e não como um bebê. Quem disse que isso é fácil para uma mãe? Por mais que eu queira, me recuso a aceitar o fato de que daqui a pouquinho terei que te pegar a força para dar um beijo.
E eu te beijo muito, filho. Como gosto de te beijar. E torço sempre para que você esteja naqueles dias em que me pega pelo rosto e me dá vários beijinhos de leve, alternando as bochechas, dizendo: "outro, outro, outro"
De uns dias para cá você tomou gosto pelo abraço. Não é à toa que no relatório anual da escola, a última frase que tia Ju escreveu foi: "Sentiremos falta do seu abraço"
Não quero estar viva se tiver que dizer essa frase para você! Não sei o que seria de mim sem ele.
Aliás, quem eu era antes de você? Qual era a graça que havia em chegar em casa e não ser recebida com esses olhinhos brilhantes e esse sorriso iluminado?
Não me lembro, filhote... Juro como não lembro!
Você anda um grude só comigo. Não sei se pelo fato de andar muito ocupada com os trabalhos de decoupage - que tem me afastado de você durante a semana, é bem verdade. O fato é que ao me buscar na casa da Tia Rô com o papai, você gruda nas minhas pernas como que com medo de eu fugir.
Com o papai não é muito diferente, não. Basta ouví-lo ligar o carro para correr em sua direção. E ai dele se não tiver a intenção de levá-lo junto! Você já entra sozinho no carro e já senta na sua cadeirinha. Acho que não vai demorar muito para você mesmo se prender - ou se soltar - do cinto.
O problema tem acontecido quando precisamos nos separar. Eu e você, do papai. Ou você e o papai, de mim. Você simplesmente não aceita que sejamos dupla. O que por um lado eu acho bom, já que nos força a ser um trio full time.
Você iniciou tratamento com a fono e está num momento in love com a "tia poinha". Ainda que recente, a gente já percebe o seu progresso.
Ela pediu que eu separasse fotos de várias pessoas de seu convívio para ver como você as nomeia. E foi nesse dia que eu revi suas fotos de bebê...
Eu olhava aqueles álbuns, aquele tanto de fotos que registraram um momento nem tão distante assim, mas que já me deixa com tanta saudade. Quando foi que você deixou de ser o meu bebê, hein? Por outro lado, também olho para o presente com satisfação. Tem tanta coisa legal acontecendo. Você tem descoberto tantas coisas...
Você é um molequinho! Lindo e saudável!
Tem pouco tempo que aprendeu a chutar com mira. Até então chutava de qualquer jeito, jogava a bola para o alto, com as mãos. Agora não! Ensaia bem antes de dar o chute definitivo. E quer mesmo é fazer o gol!
Semana passada foi a festa de final de ano da escola. Eu já sabia que sua turma representaria o filme: "O Rei Leão" e bastava eu simular o som do animal e você imediatamente começava a dançar. Por vezes te peguei ensaiando sozinho, mas não criei qualquer expectativa, uma vez que você é tímido e não gosta mesmo de dançar em público. De qualquer forma, segui os conselhos das tias e procurei me esconder na hora da apresentação. E não é que você dançou? Filho, você não tem ideia do quanto emocionou a mamãe dançando para aquele monte de gente! E você foi perfeito! Arrasou na coreografia! Ouso dizer que você foi o melhor da turma. O leão mais lindo que eu já vi! rs.

Agora você pegou gosto pela piscina. Basta ver seu pai aspirando e tratando a água que já corre na gaveta e escolhe a sunga que vai colocar.
Também compreende que só pode entrar se estiver com a bóia. E acho que não vai demorar muito para estar entrando sem elas também.
Está num vício danado de "batavinho" (ou qualquer outro leite fermentado) e tem sido difícil te convencer de que só pode tomar 01 por dia.
Enrolamos um bocado para montar a árvore de Natal. Ora não tínhamos tempo. Ora não estávamos com saco. Enfim... montamos!
Você arrastou sua cadeirinha e colocou na frente dela... Coisa mais emocionante presenciar o seu encantamento com as luzes piscando! E diferente dos anos anteriores, não tem mexido em nada. Apenas aponta com os olhinhos brilhantes: "bolinha, ursinho, anjinho, Papai Noel..."
Daqui há alguns dias você completa os seus 04 anos. Esses que você já conta com tanto entusiasmo nos dedinhos das mãos. Junto com você, também eu comemoro.
Comemoro por ter comigo esse menininho lindo que me transformou no que eu mais sonhava na minha vida: ser mãe!
Filho, não tenha pressa de crescer não! Aproveita sua infância. Faça muita bolinha de sabão. Se não tiver um pula-pula disponível, aproveite a cama da mamãe. Jogue muita bola. Pule muito naquela piscina. Dance muito ao som de Diego e Dora. Curta essa fase tão importante de viver sem se preocupar com nada além de ser feliz e brincar.
O resto? Ah, filho! O resto é só o resto. Deixa que mamãe e papai cuidam disso por você!
Ah sim! Mamãe te ama, viu? Muito.
Você não tem ideia do quanto!

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