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quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

23 meses

De volta!
Como diria minha mãe: "Afemaria!" Quanta coisa tem acontecido nos últimos dias...
Depois de tanto reclamar pela falta de tempo consegui chegar no sábado com tudo completamente pronto para o Natal. Até os presentes já estavam embrulhados, aos pés da árvore. Graças a Deus!
Hahahaha, mas deixem-me contar que tive de recolher tudo...
Como faço todos os anos vou embrulhando presente por presente e colocando-os lá, arrumadinhos, pois acho o máximo olhar a árvore cheia... Tudo embrulhado, sofás fazendo o cerco para Arthur não mexer e então fui colocar Arthur para dormir. De repente um grito de espanto. Era do Bê, meu sobrinho de 06 anos que fez carta para Papai Noel e tem aquela fantasia linda de que o bom velhinho só vem na noite de Natal: "Tia Sandrinha, tia Sandrinha! O Papai Noel já veio aqui!" Gelei. Não posso acabar com a fantasia dele. Nem quero! Sem saber o que dizer (ah, crianças!!!) e com Arthur dormindo nos meus braços só consegui mandá-lo para a copa, a fim de ganhar tempo para pensar em alguma boa desculpa para a antecipação do bom velhinho lá em casa. Arthur dormiu e cadê Bernardo? Já havia subido. E lá fui eu atrás. Conforme orientação de minhas cunhadas, ambas pedagogas, expliquei pro menino que aqueles presentes que ele viu eram das crianças da igreja, "imagina se Papai Noel ia passar lá em casa se ele só vem na noite de Natal" e blá-blá-blá. Ele acreditou e ainda me alertou: "Ah tá, tia Sandrinha! Mas acho melhor você tirar tudo da árvore por que vai que Papai Noel passe e vê que ela tá cheia... vai achar que deixou seus presentes... e etc etc etc" Foi coerente e eu tive de concordar: "Vou tirar de lá agora mesmo!" Recolhi tudo, enfiei num saco vermelho enorme que ganhei de brinde no Shopping da cidade e escondi no banheiro social, único lugar com espaço livre na casa, mas que não tem chave pelo lado de fora. No mesmo dia, um pouco mais tarde, Bernardo voltou. Pensei comigo mesma: "Preciso vigiá-lo para que ele não vá no banheiro social". O que aconteceu? Num piscar de olhos lá estava Bernardo na minha frente: verde, azul, amarelo "Tia Sandriiiiiiiiiiinha! O saco do Papai Noel tá lá no banheiro!!!!" Aimeudeus! Que desculpa dar? Disse que era melhor não mexermos... que Papai Noel podia não gostar... que de repente nem era dele... aff! Não sei mentir viu? Nem por uma causa tão nobre. Despistei, corri pro celular e apenas disse pro Adriano: "Se Bê te perguntar alguma coisa a respeito de um saco no banheiro, você fala que É SEU!" Dito e feito. Bernardo mal o esperou entrar em casa e já foi perguntando. Dali a pouco veio até mim desolado: "É tia Sandrinha... o saco lá do banheiro é de material do tio Dri... ele escondeu lá pro Arthur não mexer..." Ufa! Papai Noel pode vir tranquilo na noite de 24.
Foi até bom ter tirado tudo da árvore porque eu não tinha idéia de como Arthur está craque em rasgar embrulhos...
23 meses
No domingo meu pequeno completava seus 23 meses de vida e eu ainda custo a acreditar que em menos de um mês ele completará seu segundo ano de vida.
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Nesta idade a criança corre muito, chuta uma bola pequena com mais força para a frente e desce escadas. Combina palavras, identifica partes do corpo, nomeando-as e seu vocabulário possui mais de 50 palavras, consegue construir frases com duas ou três palavras. Canta canções simples e curtas. Pode construir uma torre de blocos e identificar figuras simples em livros. Consegue mastigar com a boca fechada. Interessa-se mais por outras crianças, inclusive pode até brincar um pouco com elas, mas não gosta de compartilhar ou dividir brinquedos. Fala a respeito de si mesma: gosto disso, não gosto daquilo. Pergunta “por que?” para tudo. Gosta de falar: obrigada e por favor.

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Ainda não fala as 50 palavras que sugerem o site, muito menos tá formando frases...
Mas tenho muito orgulho em relacionar as primeiras:
- ma mã (mamãe)
- pa pa iiii (papai)
- cáu (carro)
- au (água)
- ua (rua)
- au au (de cahorro)
- dê (deidei - a dinda Beth)
- alô
- pi-piu
(Será que esqueci alguma?)

Ainda assim nem adianta esperar repetição, pois ele só fala quando quer.
Entende tudo e assimila as coisas com muita facilidade.
Após montar a árvore da minha sogra a Beth explicou que ele não podia mexer lá sozinho e mostrou para ele o que era cada item pendurado. Ele agora a puxa pela mão até lá e faz com que ela repita o nome de cada item mil vezes: bolinha, papai noel, lacinho, sininho... eu fico cansada só de olhar! rs
Quando quer ir para a rua e está descalço eu digo: "Cadê o chinelo?" ele olha para o pé e corre a procura do dito cujo.
Ah sim! "Andar para quê se eu posso correr?" tem sido seu lema constante.
Também aprendeu a subir no sofá e sua nova diversão é acender/apagar as luzes da sala e do corredor.
Continua fascinado por portas e gavetas.
Aprendeu a música do Cailou: "Caiuuuu, caiuuuuu..." (desenho da Discovery Kids).
Ontem pela primeira vez assistiu o DVD da Aline Barros e Cia. Adorou!
Está dançando com mais frequência, mas somente de forma expontânea. Nem adianta eu repetir quarenta e sete vezes: "Dança filho, dança", que provavelmente ele não vai dançar.
Também está dando beijos. Não são beijos estalados, mas são beijos.
Toda vez que sai do banho e dá de cara com a imagem dele mesmo no espelho ele dana a dar tchau e a mandar beijo. Aliás ele é apaixonado por ele mesmo. Não pode se ver num espelho que fica todo contente e se enche de beijo. Totalmente narcisista...
O livro de pano continua sendo companhia constante, até quando não tem quem conte a estorinha ele mesmo aponta para os personagens e "improvisa" o texto.
É isso.
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Não vou prolongar muito não, que o post já está ficando enorme. Amanhã (ou depois) volto para falar dos preparativos do aniversário dele, dos furúnculos na nossa vida, do nosso Natal e da consulta que ele terá amanhã com a pediatra. Também tenho muitas fotos para postar. Voltem hein?

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

De cuca fresca

Não tanto quanto eu gostaria, mas pelo menos já desgrilei dessa estória de não ser uma boa mãe.
Eu hein! Da onde foi que eu tirei isso? rs
Meu filho é tão apaixonado por mim quanto sou por ele, e isso é fato! Basta ver a felicidade dele a cada vez que me encontra depois de um longo dia ausente.
E ponto.
Obrigada pelo apoio, pelas dicas e até pelo oferecimento da tia Andrezza, a professora do Arthur, que agora é nossa leitora também. Ela disse que se eu precisasse de ajuda com Arthur era só falar - hahaha. Ela deu sorte do meu momento down ter durado muito pouco, porque senão era bem capaz de eu gritar por ela mesmo!
Ontem adiantei um bocado a minha vida, graças a um dia de folga que ganhamos para fazer as compras natalinas. Acho que os chefes ouviram minha lamentação referente a falta de tempo, rsrsrs.
Escolhi ontem porque aproveitaria para passar o dia ao lado do aniversariante do dia, meu marido, tão maltratado por mim algumas vezes. E ontem ele deu show! Passou o dia para cima e para baixo e não reclamou nem um minuto! E olha que andamos, viu? Mas também comprei praticamente todos os presentes.
Além do Dri, também a Bia (minha sobrinha/afilhada) comemorava aniversário, então à noite fomos todos a um restaurante próximo de casa que tem daqueles brinquedões enormes que 10 entre 10 crianças são loucas. Arthur no mesmo caminho. Descobriu onde ficava a escada que dava acesso ao escorrego e fez o mesmo trajeto quarenta e sete vezes. E eu atrás.
Por minha livre e espontânea vontade liberei Adriano, que ficou o tempo inteiro na mesa com os amigos. E sabem que eu nem me cansei tanto? Meu único trabalho foi ficar olhando pois o molequinho a cada dia que passa está mais independente. Falta muito pouco para que ele fique sozinho, com a orientação apenas das monitoras do local. Aleluia!
Com relação ao 2º aniversário, voltei a estaca zero. Ainda não defini onde vai ser. O local onde eu faria que seria custo zero não tem mais data disponível, so... tenho que partir para um segundo plano mas aí preciso refazer minhas contas e saber se terei a verba necessária.
Ainda hoje defino isso, se Deus quiser!
Estou totalmente em falta com as visitas aos blogs amigos, perdoem-me tá?
Como não sei se volto aqui nos próximos dias, deixo aqui nosso cartão de Natal:

Créditos:
Christmas Doodles by Lili @ Scrapartist
Staple - Unadorned by KsharonK @ Artistic Musings
Frame - In memory of Miles @ Christina Renee designs
Overlay Two Soon @ Shabby Princess
Fontes - BettysHand, FanciHand e Trebuchet MS

domingo, 16 de dezembro de 2007

Quando o cansaço fala mais alto...

e a gente perde o controle!
Ontem foi assim comigo. Tenho passado por dias muito tumultuados. Não tenho conseguido fazer minhas coisas. O aniversário do Arthur ainda nem saiu do papel. Já decidi que vai ser algo pequeno: bolo, brigadeiro, trem de lanche e no máximo a cama elástica. Mas quem disse que eu sei sequer onde será. Não quero (e não posso) pagar salão de festas, mas também não tenho espaço aqui em casa. Os quintais disponíveis que temos são abertos, sem cobertura, mas tenho medo da chuva de janeiro. Então preciso de um lugar fechado, mas qual? Sem saber onde vai ser a festa eu não consigo fazer mais nada. Nem convite eu fiz ainda. Enfim...
Ainda não comprei um item sequer para o Natal. A árvore continua vazia.
Os únicos presentes que consegui comprar foram os de Amigo Oculto e dos quase mil aniversário desse mês de dezembro. E teve também o da nova membra da família Carvalho, Maria Clara, que nasceu no dia 28 de novembro e ainda nem fomos visitar. Culpa do tempo, de novo!
Só hoje temos o aniversário da Mariana (amiguinha da escola) e depois o Amigo Oculto da turma. Nem sei ainda o que vou fazer com o Arthur já que a farra vai ser "at night". Tentarei deixá-lo com minha mãe, isso se ela não tiver algum compromisso. Sábado passado me animei em sair com a turma para comemorar o aniversário de uma amiga em uma danceteria (ando precisando taaaanto), mas antes que eu perguntasse para minha mãe se ela poderia dormir lá em casa com ele, descobri que ela tinha um aniversário para ir. Nem falei nada. Simplesmente não fomos. Culpa? Não, nenhuma. Foi a escolha que eu fiz. Mas sinto que ser mãe em tempo integral tem me deixado meio esgotada e minha identidade mulher está deixando de existir. Não consigo fazer minhas unhas. Não consigo ir ao salão. Ando mal humorada com o Adriano porque acho que ele poderia fazer mais do que já faz. Enfim...
Ontem foi o café da manhã de confraternização da minha empresa. Arthur correu de um lado para outro o tempo inteiro. Queria fica abrindo e fechando um portão de ferro enorme e se enfiando no meio das mesas, onde não conseguíamos alcançá-lo. Ele está ligado no 220v em tempo integral. Só pára na hora de dormir. Quando chegamos em casa, quase 14:00h eu já estava pra lá de Bagdá de tão cansada, e ainda tínhamos um aniverário de 15 anos para ir à noite. Ele está na fase de não querer ficar sentado em mesa, o que é mais do que natural na idade dele, mas na nossa... é cansativo. Acho que pelo dia agitado que teve, já chegou na festa enjoado. Cismou com o portão da casa. Queria ficar abrindo e fechando (Céus! Será que ele vai ser porteiro?) e como a gente o tirava de lá ficava chorando. Sinais de sono, eu sei, mas quem disse que ele queria dormir? E aquele choramingo no ouvido, somando com o meu cansaço físico e psicológico já estava me deixando mal humorada também. Porque ele não queria outra pessoa que não fosse eu. Ele até ia com o pai, dava uma volta, mas quando voltava na mesa o choro era para meu lado. Sabe aquele momento de pensar: Vou embora porque não adianta ficar aqui e não curtir? Pois é. Só que no caso, como a festa era um bocado distante, fomos em um carro só: Eu, Dri, minha sogra, minha cunhada e Roger. E o carro era o nosso. Vir embora implicava acabar com a festa de todos, so... teríamos que esperar mesmo. Adriano o levou pro carro e ele não dormiu. Lá fui então, pra rua, fazê-lo dormir nos meus braços. Depois de meia hora balançando de um lado para o outro ele dormiu. Na volta, como tiramos a cadeirinha para liberar um espaço a mais no carro, ele veio no meu colo. Se acordado ele pesa 10 kilos, dormindo pesa quase o dobro. Isso numa viagem de mais de uma hora. Chegando em casa lá vou eu trocá-lo, e tentar que ele tome a mamadeira que rejeitou na festa. Pronto. A criança despertou e não quis dormir. Ninei e botei no berço a primeira vez. Acordou de novo. Voltei lá, ninei outra vez e voltei ele para o berço. Acordou de novo. Na terceira vez o Adriano foi. Foi com ele na cozinha, deu água e colocou no berço, sem niná-lo, e o deixou lá, chorando. Se ele não quer dormir depois de ser acalentado, imagina se vai dormir chorando... Lá fui eu de novo, já mal humorada com Adriano, que provavelmente não estava pensando se eu estava cansada ou não, ou tanto quanto ele. Ele simplesmente estava cansado e queria dormir. Eu também estava. Mas Arthur não deixava, e depois de colocá-lo pela quarta vez no berço, já sem braço tamanha a dor que eu já sentia, ele acordou de novo. Aí eu perdi a cabeça e falei alto com ele: "Deita Arthur!" e ele chorou sentido. Deitou e chorou... e eu chorei junto. Aí o peguei de novo e Adriano levantou como se pudesse salvar a pátria: "Me dá ele um pouquinho..." e eu não deixei. Por que não podia deixar Arthur dormir com o susto que levou com minha bronca, porque era a mim que ele queria, porque ele teve duas horas para levantar e perguntar se eu queria ajuda, mas só o fez porque me viu no desespero. Levei Arthur pra sala, expliquei que estava cansada e precisava dormir, que ele precisava dormir também, e pronto. Ele dormiu. Como se tivesse entendido que eu tinha realmente chegado no meu limite. Deitei às 03:15h, mas devo ter levado mais uns 40 minutos para dormir. Esgotada fisicamente, com uma puta dor na coluna e nos braços, culpada, pensando um monte de besteira, se não sou uma boa mãe, se as boas mães podem perder o controle algumas vezes, se o cansaço me faz ser uma pessoa chata e exigente, enfim...
Hoje ao acordar meu bebê chamou a mim "mã-mã-mã" e o pai foi buscá-lo no berço e o trouxe pra nossa cama: "deixa a mamãe dormir" ele disse, mas Arthur não obedeceu e me deu aquele abraço gostoso e aquele sorriso delicioso que só ele sabe dar. Ele me perdoou por ontem, eu sei, mas EU ainda não me perdoei. Tô aqui pensando em como fazer para não deixar o cansaço físico influenciar no meu emocional. Alguma sugestão?

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

A festa de encerramento

Foi na terça, 04/12.
E foi linda, do início ao fim.
Super organizada, toda a equipe em sintonia e as crianças bem preparadas.
A escola usou o tema Meio Ambiente e antes do início das apresentações a coordenadora pedagógica fez uma palestra a respeito da conscientização que foi feita com as crianças durante todo o ano letivo e fez um apelo de que tal conscientização continue em nossas casas.
Em todas as crianças era fácil perceber a alegria de estar ali. Eu comentei isso com o Adriano, como todas as crianças ali são tão felizes, tão a vontade com as tias e entre si. Tratam-se como irmãos, como velho conhecidos. A cada momento vinha um e outro dar um abraço apertado no Arthur, como se ele fosse o irmãozinho mais novo. Isso me deixou muito tranquila porque me dá a certeza de que fiz a melhor escolha.
Para abrir as apresentações, a Turma da Alegria - que é composta por todas as crianças que fazem parte do integral, e que Arthur faz parte. Usaram a música Aquarela e cada criança que entrava representava algum objeto da música. Muito lindos! Arthur representou a Aquarela.
A apresentação do Ninho foi mais lá na frente e ele representava um peixinho. Ficou tão encantado com o violão da tia Carol (de música), que não tirou os olhos dela e se esqueceu de fazer a coreografia, rs. Mas ele ficou lá, firme e forte, não chorou e nem saiu do palco. Querer coreografia já é pedir demais, né? No final da apresentação me achou na platéia e aí sim, veio correndo na minha direção e me deu um abraço tão apertado... Oh, delícia de abraço!
A musiquinha que eles apresentaram foi a do peixinho (que eu não sei o nome), mas vou registrar a letra aqui, para que lá no futuro eu me lembre da 1º musiquinha com coreografia que ele aprendeu.

Peixinhos no mar
Aves a voar
Eu quero amar
com o amor que existe em mim
Por isso eu amo
A natureza assim
Alô, alô - Eu gosto de você
Tchibum, tchibum, sha-la-la-la-lá
Quando mal eu faço à Criação
Fica em pedaços o meu coração
Por isso eu amo
a natureza assim
Alô, alô - Eu gosto de você
Tchibum, tchibum, sha-la-la-la-lá
E para finalizar, teve a tão esperada chegada do Papai Noel, que distribuiu presente para todas as crianças presentes, inclusive Bernardo e Bia.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

UMA SOLIDÃO SOLTEIRA

Por Fabrício Carpinejar (www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br)
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O QUE É SER MÃE? É nunca precisar responder a essa pergunta. Diferente de pai, que sempre se explica e gosta de se explicar. Mãe parece que nasce sabendo, não importa a idade, não importa a disposição. Julga-se como um dom natural e um desejo de vida, desde o momento em que brincava de boneca na infância e formava uma família imaginária no quarto. Que menina, quando pequena, já não sonhava em trocar a roupa do filho ao vestir e desvestir sua Barbie? Ser mãe não é encarado como profissão nem deve, mas é tão estafante quanto um início de carreira. O papel é visto como prazer e dádiva. Para alguns homens, é reconhecido como o cumprimento de um ideal. Um sonho. Mas não significa que será fácil. E não é. Responde a um dos períodos de maior aprendizado, nervosismo e tensão. Durante a gravidez, a mulher se multiplica. Espiritualmente é duas. Ganha atenção dobrada. Seus pedidos mais estranhos são atendidos. Cavalheirismo e educação exagerados batem à sua porta. Não me refiro aos assentos vermelhos do ônibus e do metrô e dos guichês do banco, reservados a gestantes. Muito além disso: abrem-se os caminhos do entendimento e da cordialidade. Ela encontra uma paz de bosque, uma quietude social. Não é contestada, criticada, desafiada. Nada que prejudique o andamento da gestação. Sua fragilidade a ilumina de carícias.
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DEPOIS DO NASCIMENTO, desconfia de que sua barriga serviu para um aluguel de luxo, que os familiares se importavam com a criança a vir, não com a criança adulta que se transforma em mãe. Paparicam o bebê e ela acaba de canto, alheia, sequiosa por um aconchego que não chega. Na hipótese de atravessar uma cesariana, dolorida e custosa, não receberá sequer algum questionamento sobre sua saúde. Andará sozinha, bem lenta, atrás do cortejo. A depressão pós-parto não é uma miragem, sinaliza desvalia.
De uma hora para outra, a mulher não é mais responsável pela sua existência, é responsável por duas vidas. Não poderá se dar ao luxo de pensar somente em si. Pensará em si por último, caso sobre tempo. Aliás, vejo que não é casando que a mulher deixa de ser solteira, ela muda efetivamente de estado civil ao gerar um filho. A dependência é substituída pela independência, no sentido de orientar e educar a criança.
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POR MAIS QUE ESTEJA ACOMPANHADA de um marido companheiro e atento, é como se mandasse no campinho. É ela que deverá responder - ou acredita que deve responder - no surgimento de dúvidas e impasses. O homem ainda goza da regalia de coadjuvante, com atenuante de que não precisa conhecer tudo. Pai está aprendendo a ser pai, mãe está ensinando a ser mãe. A crença é que a mulher tem uma enciclopédia embutida no ventre.
Licença-maternidade não é uma licença poética. Não é apenas estacionar o filho na vaga preferencial do seio. Mal se recuperou do parto e enfrenta a multiplicidade de atividades. Não dorme pelo medo de dormir e deixar escapar um apelo do bebê e ser incriminada por omissão. A insônia é o de menos. Até encontrar a posição certa de segurar o nenê para não ter cólicas, até encontrar a melodia adequada que tranqüiliza o choro, até encontrar a postura confortável para não sofrer com dor nas costas, é uma arte.
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ENTRE CUEIROS E TIP-TOPS, entre fraldas e lençóis, dificilmente será reconhecida em família pelos seus pequenos e imprescindíveis feitos. De que modo contar a terceiros e ao próprio marido o que fez? Que deu leite, arrumou as roupas, limpou o cocô, deu papinha e que essas operações tomaram o seu dia? As energias gastas em 24 horas serão reduzidas a um relato de três minutos. Dirão que é exagero. Começa a cobrança e a sensação de que não é compreendida.
O marido aparecerá em casa, leve e lépido, mais disposto (é claro), e brincará descansado com o filho, imitará sons de bichos, desfrutará da organização e de uma companhia para dividir as tarefas. Ele curte o que desejava para você. O pai é o parque, a mãe é dia útil. Resta assistir à alegria como se fosse sua.
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IMAGINE UMA PROFISSIONAL HIPERATIVA mergulhar de repente nesse mundo em que nada aparenta acontecer e tudo acontece sem jeito de demonstrar? Ter a rotina reduzida a dez quarteirões do bairro, na faixa que compreende a quitanda, a farmácia, a praça e o mercado, como um exílio em sua cidade? Uma mãe recente é uma ótima crítica da televisão à tarde. Pela primeira vez, é capaz de opinar com fundamento sobre a qualidade dos programas.
De um comercial a outro, o filho cresce mais rápido do que supunha. O que adiava para fazer continuará adiando. Se nos preparativos, demorava séculos para definir a cor do enxoval, as decisões agora são rápidas e fulminantes. São para ontem. O filho largou o peito, deve então acertar a temperatura do leite, preparar a comida, optar pelas peças da gaveta. Será que ponho casaco ou não? Está quente ou frio? O ponto mais visitado é a bunda rosada da criança, para verificar assaduras. As mãos cheiram a hipoglós e não é de estranhar que a pasta branca fique nos vãos dos dedos no momento de dormir. E, quando toca o telefone, a mãe se envergonha de dizer que está segurando o filhote no colo e faz o impossível para que a voz na linha não note o incômodo. Um malabarismo para acalmar os gritos do pequeno, entender a conversa e ser educada. Mãe carrega muita culpa desnecessária. A maternidade é uma solidão desproporcional, uma solidão solteira em cama de casal.
A libido fica em baixa, não se tem a mesma vontade louca de transar. Nem é vontade, é disposição, condicionamento físico. Após desbotar o tapete do corredor no vaivém, não há como se arrumar. Arrepende-se dos espelhos no quarto adquiridos para projetar posições eróticas. O homem se aproxima dengoso e amoroso e a dor de cabeça é a saída menos explicativa. Existe um cansaço inclusive para DR (Discutir o Relacionamento).
A mulher se vê acima do peso, com os seios estranhamente grandes (talvez o homem goste da protuberância, esquece que o aumento é inchaço, dói e não é para ele) e a cintura se equilibrando com a transformação. Pela primeira vez, um maiô não é uma idéia insuportável. O corpo está longe da rigidez e para recuperar as formas antigas só com muita ginástica, musculação e sorte.
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ELA ESTÁ DISTANCIADA DO NÉCESSAIRE, substituída pela sacola forrada de plástico, com pomadas, panos, bicos e o restante infinito do arsenal infantil. O máximo a fazer é paquerar a sinaleira. O único jeito de avançar no sinal vermelho é ali, com o carrinho de bebê na faixa de segurança.
Se não está aprontando e ordenando as coisas, está limpando a bagunça. Se não está encaminhando a criança ao sono, está dormindo junto. O banho de banheira da criança que encharcará o piso será o raro momento em que se ausentará, ouvirá novamente sua respiração e buscará informações atualizadas da rua.
Falei do trabalho, porém é o isolamento que mata. O pai age, na maioria das vezes, como um porteiro das visitas, cumpre a convenção social de mostrar o bebê para em seguida continuar suas conversas. Um elogio pra lá, um elogio pra cá, a criança abandona a cena e a mãe corre atrás, para atender as chamadas noturnas. Não há como acompanhar os papos entusiasmados e eufóricos. Escuta-se as risadas do quarto, com receio de que a criança seja acordada e tenha que recomeçar o acalento. Torce para que as visitas saiam cedo.
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OS AMIGOS E AMIGAS DA MULHER, de contato freqüente, de repente desaparecem. No início, podem rodear o bebê, propor bilu-bilu e esganiçar dublagens. Exaltam o nascimento. No instante do socorro e exaustão, nenhuma alma por perto. Acontece uma segregação silenciosa e terrível. Alguns se afastam para não incomodar, outros para não serem incomodados.
Durante essa fase, os relacionamentos escasseiam também devido à exclusividade materna. Quem não tem filho pode achar esquisito, mas pais discorrem na mesa sobre quantas vezes a cria foi aos pés e a cor das idas e vindas! Ela encontrará dificuldade de conversar de outros assuntos que não os relativos ao seu filho. Afinal, seu universo gira em torno dele. Vai se aproximar de outras mães para dividir suas dores e delícias. Um dos motivos para que as reuniões das creches sejam longas. É um momento de desafogo e de cumplicidade.
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A MÃE QUER SE SENTIR OUVIDA, falar do que incomoda na hora em que sente. Não depois quando já se confortou. Ou antes quando não entende. Tal jornal – mãe é para ser lida no dia. A pior coisa para ela é estocar sentimentos e apreensões, como quem guarda inutilmente papel velho. Mãe deve dizer o que a confunde de pronto e ser respeitada em silêncio até o fim, para que a preocupação não seja convertida em recalque.
Quando não está ao lado da criança, mãe padece com severa intensidade. Uma saída para se distrair – ou ao retornar ao trabalho –, e está ligando apavorada para a babá, solicitando relatos minuciosos dos últimos movimentos do rebento. Pavor de que não há quem cuide melhor do que ela. Ou pavor de que alguém cuide melhor do que ela.
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O QUE É SER MÃE? É nunca precisar fazer essa pergunta. O que se experimenta em segredo, o esforço hercúleo, o afeto pontual serão recompensados com a telepatia. A mãe notará que é possível esconder seus sentimentos de qualquer um, menos de sua criança, que alisará seus cabelos no desalento com o pente das unhas e nadará com alegria em seu corpo em cada abraço. E basta observar que a criança imita seu trejeito, basta reparar que a criança segura os objetos com a sua firmeza, basta reconhecer na voz dela o galho florido de seu timbre, basta cheirar o cangote e descobrir quantas fragrâncias não foram criadas, basta vê-la caminhar longe do apoio, balançando como um pingüim, basta ouvi-la dizer “mãe” com a pausa de uma reza, basta ser surpreendida com as repetições de suas idéias, basta que ela invente novas possibilidades para linguagem, basta que ela ponha a digital em um cartão, que ela retribua o “eu te amo”, e as adversidades serão esquecidas. As adversidades já serão amor.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Procurando o tempo

Tempo, tempo, tempo...
Não vou nem repetir que ele está voando que todo mundo já está careca de saber!
No meu caso, esse final de ano está sendo sinônimo de falta de tempo...
É a festa de final de ano aqui na empresa que consumiu quase que uma semana inteira de trabalho, elaborando os convites, imprimindo-os, etiquetando-os, os brindes que serão sorteados que tiveram de ser relacionados e etiquetados, as confirmações que tive de fazer...
Na semana passada tivemos um almoço de confraternização com uma grande empresa com quem temos contrato, e o dia também pareceu não existir. Ah! Na mesa ao lado estavam Bruno e Marrone (pequetitos assim como eu, rs) e na de frente Zeca Pagodinho que de tanto olhar pra nossa mesa me obrigou a lhe mandar um beijinho, hahaha - O danado é carismático de verdade! Foi na nossa mesa e cumprimentou todo mundo - graças a mim! rs
Mas, voltando ao tempo... Acho que outro responsável para que ele corra está sendo na quantidade de festas... Na quinta teve aniversário do Matheus (filho de amigos nossos), na sexta o da Tia Bina, no sábado de tarde teve a do Breno (amiguinho da escola) que emendamos com a inauguração da churrasqueira da Rô e Alê. Cheguei em casa no bagaço da laranja! E então para finalizar a semana, ontem tivemos churrasco do Helio Negão (amigo do Dri) e também emendamos com a formatura do Bê (nosso sobrinho). Ufa! E a semana acabou! Agora imagina eu ter comparecido a todas essas festas com uma dor enorme no meu pé esquerdo... pois é!
Passei semana passada inteira com muita dor no meu tendão de aquiles. Somente hoje fui ao ortopedista e ele diagnosticou o que eu já sabia: tendinite. Passou um anti-inflamatório e uma USG para verificar se o problema é degenerativo, já que volta e meia eu tenho essa dor que some da forma que vem, do nada!
Com isso fiquei super enrolada com a estória do presente das tias da escola, e somente hoje consegui resolver. Não foi o que eu queria, acabei comprando chocolate pra todo mundo e no mesmo embrulho vou colocar o calendário que fiz do Arthur, que também não teve o retoque final necessário, mas que enfim... não tive tempo! A festa já é amanhã!

Créditos: Kit Tis the Season by Retrodiva @ Digital Freebies
E por falar em festa, a menos de 02 meses para a festa do meu pequetito e eu ainda não sei o que vou fazer... preciso fazer umas contas, levantar alguns orçamentos, fazer umas ligações, enfim! Também preciso achar tempo pra isso! Daqui a pouco estamos em janeiro e eu nem sei onde vai ser a festinha ("inha" de verdade). A única coisa que decidi é que vai ser bem pequena, sem bebida alcóolica, provavelmente um trenzinho de lanches, um animador (talvez um mágico já que o tema vai ser Circo) e uma cama elástica que é o que as crianças têm curtido ultimamente... e só! Mas tudo vai depender das minhas contas! hahaha
A otite já foi controlada, e agora tenho que levá-lo ao otorrino para revisar, só que parece que os médicos estão sofrendo do mesmo problema que eu... Não têm horários disponíveis! Então na próxima quinta lá vai Adriano com o pequeno a tiracolo para tentar um encaixe. Além disso precisamos levá-lo ao homeopata, aimeudeus! Mais uma luta para encontrar o bendito tempo...
Estou super em falta com as visitas, mas prometo que colocarei todas em dia, viu? Assim que o tempo aparecer...


Créditos