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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O Bera

E não adiantou ficar com medo, reclamar com a pediatra, ligar para médico, nada disso. O Bera foi feito!
Como solicitado pela pediatra, ligamos pro otorrino para saber a real necessidade do exame. Ele, daquele jeito que todo médico adora: nem que sim, nem que não, talvez, porém, quem sabe.
E só em pensar na possibilidade de começar um "tudodenovooutravez" com outra médica, já que corria o risco de chegar lá e ela querer começar tudo do zero, já me sentia cansada. Porque cansa sabe? E só em ter que explicar todo o passo-a-passo que já demos até aqui....
Desisti.
E então acordei na segunda feira já contando os dias que faltavam até a sexta feira chegar... dia em que o exame estava marcado na José Kos.
Chegamos lá atrasados e fomos logo atendidos.
Primeiro um papo com a anestesista. Muitas perguntas sobre alergias, doenças, medicamentos...
Depois outro papo com o médico que realiza o Bera.
Dr. Aziz Lasmar.
Tô para conhecer no mundo sujeito mais arrogante, mais soberbo, mais... aff!
Primeiro que sequer deu bom-dia, e quer saber? Se fosse só isso dava até pra relevar.
Vou colocar abaixo o pouco do que me lembro de um diálogo frio e traumatizante. Acrescente apenas um tom arrogante nas falas do doutor que Deus há de me fazer esquecer até o nome.
- O que te traz aqui?
- Foi indicação do otorrino...
- Não foi isso que perguntei... qual é o problema do seu filho?
- Bem, ele tem o aumento da adenóide e...
(antes de eu terminar a frase)
- Não é isso que quero saber! Ele tem o que? Não fala, não escuta...
(se já estava nervosa com o exame, a essa altura já estava apavorada, mas engoli a vontade de mandá-lo para a ponte que o partiu!)
- Ele está com atraso na fala. Até fala, mas fala pouco...
(ele soltou uma respiração como que querendo dizer: - Ô gente chata que quer ficar dando detalhes!)
- Tem problemas de relacionamento? Tem contato com outras crianças?
- Está na creche.
(me limitei a dar a resposta seca)
- Com quantos meses firmou a cabeça?
- Não sei. Não me lembro.
- Não se lembra com quanto tempo ele ficou com a cabeça firme?
(fazendo cara de espanto. Como se eu fosse obrigada a ter anotado a data exata em que isso aconteceu)
- Com quantos meses engatinhou?
- Acho que com seis, sete meses talvez... não tenho certeza.
- Com quanto tempo andou? Disso você se lembra?
(Sim! Falou desse jeito!)
- 1 ano e 3 meses.
(Disso eu lembrava!)
- Se andou nessa idade com certeza não engatinhou com 7 meses...
(e minha vontade de falar: -Então pra que me perguntou?!)
- Se está num cômodo, e em outro tem tv ligada em que passa anúncio de brinquedos, ele se interessa em ir até lá?
- Ah sim! Inclusive corre para assistir abertura de novela...
- Não foi isso que perguntei, mas tudo bem... Na família alguém teve o mesmo problema de atraso de fala?
- Nem eu, nem meu marido...
- Tô perguntado da família...
(como se eu e Adriano não fossemos da família...)
- Que eu saiba, não.
Deve ter feito outras perguntas que meu inconsciente bloqueou e após alguns segundos olhando para o prontuário em silêncio, ele me liberou do martírio.
- Só isso.
Ódio. Esse era meu nome ao sair da sala dele. Saí totalmente abalada e desestruturada. E chorando, claro.
Que direito uma pessoa tem de tratar as outras como lixo?
Expliquei pro Adriano porque eu estava nervosa e perguntei para a enfermeira que nos encaminhava para o quarto (e que havia presenciado a sessão de tortura) se ele era assim com todo mundo. Ela sem querer se comprometer se limitou a dizer: "É o jeito dele..."
Não posso negar que o atendimento da clínica em um todo é excelente. Atendentes, assistente social, enfermeiras, maqueiros, todos muito atenciosos. Então foi nisso que me apeguei para não catar meu filho e sair correndo de lá.
Arthur a todo momento era chamado pelo nome o que faz com que a gente se sinta gente e não apenas mais um paciente.
Ainda no quarto deram um xaropinho que, segundo a enfermeira, poderia fazê-lo dormir, ou deixá-lo grogue ou nenhum dos dois. Demorou a surtir efeito, mas depois de uns trinta minutos a gente já percebia Arthur sonolento.
Quando a enfermeira veio buscá-lo com o maqueiro ele ainda estava acordado e por isso foi no meu colo até a porta do centro cirúrgico. Lá dentro, um enfermeiro grande de braços fortes que o chamou: "Vamos lá, Arthur?" E ele foi. Sem olhar para trás.
Ele entrava e ao mesmo tempo saía de lá uma menininha menor que ele, que também fez o Bera, totalmente apagada na maca. Sensação horrível. Ela respirava forte e babava também.
E nesse cenário, a enfermeira (que parecia estar sabendo da minha ira com o médico) tentou me tranquilizar: "Mãe, não precisa se preocupar. O Dr. Lasmar tem esse jeito mas é um excelente profissional. É um dos mais requisitados no Brasil. É chamado no exterior para realizar esse exame. É assim porque está velho. Não leva em consideração a forma como lhe tratou não. E blá-blá-blá." Me limitei a dizer: "Tomara que ele seja bom mesmo! Porque o fato de ser velho não lhe dá o direito de tratar as pessoas como me tratou."
A mãe da menininha disse que ele lhe tratou da mesma forma.
Será que a clínica sabe disso? Ou será que por ele ser tão bom, a clínica acaba relevando? Porque esse filho da mãe é o único a realizar esse exame naquele lugar?
Voltei para o quarto, chorei um bocado e depois de 30 minutos voltei para a porta do Centro Cirúrgico para esperar meu pequeno sair.
E exatos 40 minutos depois dele ter entrado, a porta do centro cirúrgico se abria e no colo de uma médica vinha meu menino, meio grogue, mas acordado. "De quem é esse lindo aqui?" perguntou ela. Trouxe para o meu colo e perguntei se havia chorado. Ela disse que não.
Alívio para o coração materno e a confirmação de que cada organismo realmente reage de uma forma...
Voltamos para o quarto e ele dormiu por uns 30 minutos. Tempo que levou para sair o resultado do exame. Quando acordou já estava bem. E teve alta.
Segue o resultado:
Conclusões:
O quadro é sugestivo de audição nos limites da normalidade, em ambos os lados, para clicks;
Observa-se a presença de distúrbio da condutibilidade dos potenciais auditivos ao nível do tronco cerebral, à estimulação do ouvido esquerdo.
Sugestões:
1. Avaliação e orientação com neuropediatra;
2. Manter estimulação global (creche, parquinhos);
3. Terapia fonoaudiológica, se julgada necessária pelo médico assistente;
4. Peavaliação dentro de 01 ano, a critério do médico assistente.
Amanhã, 05/11, levaremos o resultado no otorrino para que ele nos decifre exatamente o que diz o laudo. E para sabermos qual o próximo passo a ser dado.

5 comentários:

dilaine disse...

Nossa...parecia que estava lendo um depoimento meu...rsrsr tbm passei tudo isso com meu filhote guilherme....e tbm deu o mesmo resultado no bera dele...só que de ambos os ouvidos.Gostaria de poder ter contato com vc para que possamos trocar experiencias.Pode ser?

dilaine disse...

meu email é dilainesilveira@yahoo.com.br
aguardo retorno

dilaine disse...

nossa...vi que mora em nova iguaçu...rsrsr ainda é minha vizinha...que bom!!!

Tatiana disse...

Olá, Boa noite,
estou passando por isso com meu afilhado e me indicaram procurar esse mesmo médico ''Dr. Aziz Lasmar'' e a otorrino que me indicou ele disse q ele é o melhor do Brasil e que inclusive não quer outro Bera de nenhum outro lugar só aceita o dele; ele nem aceita o plano do meu afilhado lá na José Kós e teremos que pagar particular;
Gostaria muito de conversar com vc; meu afilhado tem 6 anos e está com um histórico muito parecido com o do Arthur.
em tempo, adorei ler seu blog e me tornei seguidora. Parabéns
meu e-mail é tatiana.ribeiro@oi.com.br

Marly Sobral disse...

SANDRA, em relação às perguntas do DR Aziz Lasmar, elas são fundamentais para se avaliar o amadurecimento do sistema nervoso central. Vc estava estressada pelo longo caminho que vem percorrendo com seu filho entre pediatras e otorrinos, e certamente já repondeu a estas perguntas dezenas de vezes, associado ao medo da anestesia e a dúvida se o exame BERA era necessário, respondendo talvez irritada a estas perguntas. Em relação ao BERA, este exame é fundamental para avaliar-se tronco cerebral ("verificar se o cérebro está entendendo os sons que o ouvido está enviando"). É pena que voce tenha tido esta impressão do Dr Aziz Lasmar, porque além de excelente médico, é uma pessoa muito humana e muito respeitado dentro da classe médica. Sucesso no tratamento do seu filho. Marly Sobral

10 Outubro, 2011 10:41