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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

Amamentando

Desde o início da gravidez eu sempre liguei a maternidade à amamentação.
Tanto que nem fiz questão de comprar mamadeiras para o enxoval. Na última semana de gestação meu chefe perguntou por elas e ao receber como resposta: "É a única coisa que está faltando", tratou de providenciar o jogo completo: 03 mamadeiras de tamanhos diversos mais chupeta. Como se aqueles fossem itens principais de um enxoval.
Nunca passou pela minha cabeça ter um filho e não amamentá-lo. Motivo pelo qual mamadeiras e similares recebiam título de supérfluos na minha relação de prioridades do que deveria comprar.
Claro que eu tinha muito medo de não ter leite... ou deste não ser suficiente para satisfazer o bebê... ou do bebê simplesmente rejeitar o bico. Todos esses medos comuns em 10 entre 10 gestantes! Se for gestante de primeira viagem então, o medo se torna quase que uma paranóia...
Mas eu seguia confiante de que tudo daria certo e que o primeiro passo para que isso acontecesse era ter o pensamento positivo...
No segundo dia de vida do Arthur, o pediatra veio ao quarto e me ensinou a técnica da tesoura para amamentar, onde eu deveria usar dois dedos para ajudar o bebê a achar o bico. Era uma aula teórica, já que o Arthur não estava lá para colocarmos em prática o que a mamãe estava aprendendo. Aliás acho que o Arthur também deveria ter assistido essa aula, já que era um exercício que estaríamos, a partir daquele momento, praticando juntos! Pois bem, antes de sair do quarto o Dr. Sergio perguntou: "Entendeu mãe?" "Acho que sim!". Parecia fácil realmente... E, além disso, tinha o tal do instinto materno... rs.
Quando a enfermeira o trouxe do berçário simplesmente falou: "Ele ainda não mamou... pode dar 5 minutos em cada seio..." e saiu do quarto. Bem, ficamos lá, eu e Arthur, para colocarmos em prática o nosso plano de sermos uma dupla infalível.
E até que começamos muito bem... ele imediatamente descobriu que o seio foi feito para sugar, e a técnica da tesoura também foi um sucesso... mas, estava saindo alguma coisa? Não sei! Ele sugava... parava... me olhava... sugava de novo... descansava e assim sucessivamente. À noite não quis participar da brincadeira e preferiu a facilidade da chuquinha.
Não me descabelei. Ora, era o segundo dia de vida do bebê. Ele precisa aprender...
No terceiro dia de vida, já em casa, ele pegou o bico com uma força de dar inveja a muitos banguelas... como pode gengiva de bebê ser afiada como uma navalha? rs
Ainda era o colostro, quase transparente, e embora parecesse que nada saía do meu seio eu sabia que aquele ali era o que de mais forte meu bebê receberia. E mamou bem, seguindo direitinho os horários, variando entre 3 e 4 horas de intervalo.
No dia seguinte meus seios encheram. Acho que dobraram de tamanho. E doíam muito.
Nossa! Era uma mistura do coçar, mais o latejar, mais o pinicar, mais o doer... tudo de incômodo!
E o que tinha que ser motivo para felicidade se tornou momentos de desespero. O bico que meu bebê tinha feito sumiu, e com fome, ele berrava!
Aí entrava a cruel dúvida: Deixá-lo com fome até que encontrasse o bico ou ceder aos apelos de todos para dar o leite Nan? Bem, resisti ao máximo, mas ao perceber que a fome não seria a melhor saída para um bebê, recém nascido, indefeso, e além disso meu filho não tive outra saída senão preparar a bendita chuquinha de Nan e rezar para que ele não se habituasse ao bico de plástico. Eis que a idiota aqui sequer cogitou a possibilidade de tirar leite materno na bomba, tamanho era o meu desespero vendo o desespero de meu filhotinho. Minha cabeça só funcionou quando ele saciou a fome, e aí então coloquei em prática a árdua tarefa de retirar leite com a bomba antes que ele acordasse novamente com fome.
Aliás, o que é "tirar leite com bomba?" Quem inventou isso? Sentir aquela dor não pode ser normal... se não fosse pelo bem de meu filho... Bem, mas isso é um capítulo à parte!
Não é à toa que nós, mães, padecemos no paraíso...
Bem, graças a Deus a estória da bomba não precisou ser repetida nos dias seguintes, muito menos a do NAN. Ele continua lá, esperando por uma emergência, que em duas semanas só aconteceu mais uma vez, no dia de levarmos ao pediatra e eu fiquei toda enrolada com horários e etc, o que também não justificou eu ter dado, mas que acabei dando... e a bomba... essa foi usada ontem, porque o Arthur teve crise de cólica e se recusou a pegar no seio. Após retirar o leite e ele ter mamado conseguiu evacuar, e tudo voltou a ser como era antes...
Algumas vezes ele fica irritado quando não tem facilidade para encontrar o bico e simplesmente faz escândalo... então mamãe tem que manter a calma (o que é muuuuito difícil...) para acalmá-lo, e continuar na tentativa.
Bem, meus seios estão de um jeito de dar dó. Não estão rachados, mas estão feridos, o que faz com que cada sugada me leve à lua para dar um passeio e voltar feliz da vida, pois ele está ali, mamando, e isso sim, é o mais importante pra mim!

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