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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

O Parto

O dia anterior
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As pessoas que me ligavam perguntavam como estava me sentindo...
Na verdade nem eu mesma sabia. Era um misto de alegria, medo, ansiedade, uma revolução de sentimentos... então resolvi que passaria o dia na piscina tentando relaxar (e fugindo do calor insuportável que fazia)... E como tudo já estava arrumado, fiquei lá até 17 horas. Depois fui à missa. Quando cheguei em casa recebi visitas... Quando vi já eram 22 horas e eu ainda não tinha jantado... Achei melhor lanchar, mas não resisti ao bolo de chocolate (ultimo desejo na condição de grávida!)J
O que se seguiu foi uma interminável tentativa de dormir. Quem disse que eu consegui?
Rolei de um lado pro outro a noite inteira. Passaram-se 2, 3, 4, 5 e 6 horas da manhã e eu lá, sentindo uma dor que percorria o lado direito do corpo, seguindo pro lado esquerdo e se alojando na direção do coração como se ele fosse parar de bater, subindo pela garganta como se fosse em sufocar... algo que não consigo nem descrever... algo que eu NUNCA senti...
Pensei: “Meu Deus! Que dor é essa? Vou acabar tendo que ligar pra Dra. Laura e desmarcar a cirurgia...” E coloquei a culpa no bolo de chocolate, na sopa leve que não fizeram para mim, em mim mesma por não ter feito a sopa leve, no Adriano que conseguia dormir...
Às 5 e meia resolvi, num ato desesperador, me forçar a colocar pra fora o que me incomodava, e consegui! E então foi pior ainda... o estômago começou a doer também!
Enfim, 6 horas da manhã! Dali a duas horas estaria entrando em cirurgia e meu bebê estaria comigo momentos depois.
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23 de janeiro - Nasce o Arthur!
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Hora de ir para a Maternidade. E aquela dor (sei lá da onde) continuava...
Quando já estava no quarto e Dra. Laura chegou, perguntou se estava tudo bem. Minha resposta: Não! Tô passando mal... (rs) Ela disse ser o mal de toda gestante prestes a ter bebê... Nem me deu bola... Já está mais do que acostumada...
Perguntei se a Pretinha poderia filmar o parto e ela disse que não seria com ela, que o Hospital deveria liberar. A Pretinha já havia falado com a responsável pelo Centro Cirúrgico que havia autorizado, então ficou esse disse não disse, Dra. Laura disse que iria consultar a equipe, e eu que já estava nervosa, fiquei mais ainda.
Não tive tempo de aguardar a autorização, pois já vinha a maca me buscar.
Já no Centro Cirúrgico, o anestesista fez a mesma pergunta, se eu estava bem. E a mesma resposta foi dada. Perguntou meu nome. “Não fica assim Sandrinha (sim, me chamou de Sandrinha), já já essa dor, que só existe na sua imaginação, vai ter passado... Meu nome é Sérgio.” Então fui obrigada a responder: “Então é você o monstro que aplica injeção. Já ouvi muito a seu respeito...” E ele: “Tudo intriga da oposição!!!” rs Só rindo... Ao invés de ter pânico da anestesia, achei o sujeito muito engraçado, e realmente nada senti! Nem o tal geladinho que todo mundo fala.
Dali a pouquinho subiu o lençol na minha frente e o Dr. Sérgio novamente veio perguntar se estava tudo bem. Quando eu ia perguntar pelo Adriano, alguém da equipe já havia perguntado e a Dra. Laura, para meu alívio, respondeu: ”Pode... pode entrar marido, amiga, câmera, todo mundo!” rs
Dali, o que se seguiu, foi uma conversa entre toda a equipe, de um assunto que nada tinha a ver comigo. Viagem, final de semana, feriado. Dali a pouco, ouvi alguém perguntar: “Quer que eu pressione Laura?” E aí sim, eu senti uma pressão na barriga. Não era dor. Era pressão... A Pretinha filmava tudo, e o Dri ficou ao meu lado. Algumas vezes sorria. Outras, arregalava os olhos. Estava nervoso também.
Em menos de meia hora eis que o Dr. Sérgio anuncia: “Nasceu o Arthur!”. E instantaneamente, meu bebê abriu o berreiro. Um dos motivos que o fez ter 10 de Apgar!
A partir dali, um desespero para nós, mães! O pediatra retira o bebê das mãos da obstetra, passa por você (mera espécie decorativa) e vai cuidar de seu pimpolho sem te dar a menor confiança. E você fica ali, ouvindo os berros de sua cria num bercinho atrás de você, sem poder se mexer. Perguntei pra Pretinha se parecia comigo, e ela disse que sim.
O Adriano deixou de me olhar. A atenção dele agora era só do Arthur... rs (Depois vi na filmagem que ele passou mal quando o pediatra fez o procedimento de sugar líquido do bebê, inserindo aquela borracha em sua pequena garganta) rs. Não consigo visualizar o que sairia de uma filmagem feita por ele... kkkk
Depois de longos (muito longos) minutos, o pediatra colocou o Arthur sobre mim. E os berros cessaram no mesmo instante em que o toquei. Sim, meu bebê me reconheceu. Eu já era a mãe dele há muito tempo. Há nove meses ele já me conhecia. Eu só conheci seu rostinho naquele momento, mas ele só precisou me reconhecer... Preciso de mais alguma coisa?!
E o resto foi só o resto! Fiquei ali tendo finalizado os procedimentos da Dra. Laura, enquanto o Arthur, seguido pelo papai e pela tia Pretinha, foi encaminhado para a encubadoura.

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