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terça-feira, 22 de maio de 2007

De volta

Voltei! E graças a Deus com tudo mais ou menos organizado!
Óbvio que não da forma como gostaria de voltar, com tudo como era antes, mas a vida não é assim mesmo, cheia de altos e baixos? Então... a gente prova para a vida que a gente consegue contornar as adversidades, já que quem está no controle é Ele, e só Ele sabe exatamente a hora certa para tudo!
Vamos aos fatos...
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Sobre a Quinha:
No dia das mães carreguei a Quinha lá pra casa, exatamente para que ela não tivesse que fazer almoço, para descansar da tal dor no nervo ciático (lembram?) que seria causado por uma hernia de disco (que ainda seria estudada através de ressonância magnética). Senti minha mãe meio cansada, meio triste, sei lá, diferente. Eu perguntava e ela dizia que não era nada. Não sei porque motivo eu estava muito apegada a minha mãe. Fiz aquele post do dia das mães totalmente emocionada, e nem percebi que era meio que um aviso de que tinha que cuidar mais ainda dela. A cada comentário que vocês colocavam, eu me sentia orgulhosa de ser eu a privilegiada de ter a Quinha, e sequer imaginei a possibilidade de não tê-la mais comigo. Não consigo visualizar minha vida sem a minha mãe por aqui, e tenho certeza que todos vocês vão me entender, seja porque ainda tem sua mãe por perto, seja porque já não a tem mais por perto. Minha mãe sempre foi minha companheira. Como tive um pai muuuuuuito rígido, ciumento aos extremos, era ela quem segurava a minha onda. Mentia para meu pai se preciso fosse, só para que eu tivesse momentos "normais" com minhas amigas. Tive muitos conflitos com meu pai, mas hoje consigo entender que na verdade ele tinha muito mais razão do que eu imaginava, mas enfim! Eu era uma adolescente, e por mais que ele dissesse que um dia eu o entenderia, eu não aceitava seus argumentos, e foi assim que minha mãe se tornou minha melhor amiga... porque sempre me entendeu, sempre me deu razão e sempre confiou em mim.
Eis que na terça pela manhã o Dri me liga dizendo que meu irmão havia ligado, pedindo que não levasse o Arthur, pois minha mãe estava com falta de ar e ânsia de vômito, e que estaria indo pra emergência do hospital. Saí daqui como uma flecha e em menos de uma hora estava chegando no hospital. Chegando lá, minha mãe tinha acabado de ter nova crise de falta de ar, e sua pressão arterial tinha ido a 24x10, motivo pelo qual precisaram encaminhá-la ao CTI. Meu mundo desabou, ficou tudo preto, e acho que só não desmaiei porque precisava ouvir da médica que a atendeu o que realmente havia acontecido. Então depois de longos 30 minutos fui atendida pela médica do PS que me disse que no estado da minha mãe o melhor para ela naquele momento era estar sendo socorrida e tendo aquele atendimento personalizado da CTI. Não poderia vê-la e isso me fez sentir impotente, pois sou eu quem estou SEMPRE com ela. De 10:00 às 13:30 tive de esperar para vê-la (e por apenas 15 minutos). E lá estava ela, tão frágil... mais preocupada com todo mundo do que com ela mesma, e dizendo que já estava bem. Conversei com a médica do CTI que não tinha muito a me dizer pois ainda faria os exames cardíacos, mas que de cara adiantava que a glicose de minha mãe estava em 400! Quando a três meses atrás estava 102 (totalmente dentro do normal, que vai até 110 se não me engano...)
Na visita da noite, a bomba. Minha mãe "tem um coração enoooorme!!!!" nas palavras da médica. Bem, seria cômico se não fosse trágico, e tive vontade de dizer: "Disso eu já sei dona doutora! Só não sabia que ter um coração grande implicava em ter que parar no hospital!" Tinha que ser coisa de Quinha! Eu até riria, se não fosse a gravidade da situação. Ela explicou que as medidas do coração de minha mãe são bem acima do normal, e que não é caso cirúrgico, mas que estranhava ela nunca ter tido qualquer sintoma: Tem certeza que ela nunca teve falta de ar? Nunca se sentiu muuuuito cansada por simplesmente pentear o cabelo? etc, etc, etc. E as respostas para mim eram negativas, pois tirando eu tê-la achado desanimada nos últimos dias, ela não reclamava de nada. Muito pelo contrário, sempre foi muito ativa!
Enfim... para resumir: No dia seguinte minha mãe já estava no quarto e teve somente outra falta de ar que foi rapidamente controlada, e depois disso, ficou no hospital como se fica num spa: comendo, descansando e dormindo...
O 3º médico (agora o chefe de cardiologia do hospital) a questionou se na infância ela morou em casa de... ah! sei lá o nome! É que no Nordeste é comum esse tipo de habitação e é onde se esconde o barbeiro, trasmissor da Doença de Chagas e como a resposta dela foi positiva, ela fez um exame (de resultado demorado) para saber se ela é portadora da tal da doença, cuja uma das características é o aumento do coração.
Ontem, depois de quase 01 semana internada, ela teve alta. O 4º médico (clínico geral de plantão) disse claramente que o prognóstico não é bom. Que o resultado do exame sendo positivo ou não não vai fazer muita diferença para o tratamento: visita mensal ao cardiologista, dieta total com a ajuda de um nutricionista, nenhum esforço, cigarro zero e 06 medicamentos diários para controle da evolução da doença. Que seguindo o tratamento ela pode viver por 20, 30 anos, sem precisar voltar ao hospital... mas que não devemos estranhar se mesmo seguindo todas as recomendações, ainda assim ela tenha algumas crises e precise voltar...
Enfim... A vida de minha mãe (que até então era uma fortaleza) se tornou muito frágil. É como se a Quinha agora fosse meu bibelô de cristal, e precise estar na minha estante, num lugar seguro, às minhas vistas de preferência, mas que ainda assim, com todos os meus cuidados, um vento pode bater, e ela cair... mas pode cair e voltar ilesa, e isso é o mais importante!
Graças a Deus por isso! Pela vida de minha mãe...
Agradeço tanto, tanto, tanto... porque com todas as restrições para a vida de minha mãe, ela está aqui conosco, e assim vai ficar por muito mais tempo, porque é assim que Ele quer!
Ah! Muitíssimo obrigada pelo apoio que tive... por aqui, por telefone, pessoalmente, vocês não sabem o quanto isso foi importante para mim...
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Sobre o Arthur
Com tudo isso, meu pimpolho precisa sair das asas da vovó já que está muito espoleta para o frágil coração da mesma... rs
Está terrível. Mal aprendeu a andar e já quer correr de um lado para outro. Já sabe que para ir pro quintal precisa calçar a sandália, e já conhece a função da escova de dente. Está lindo! mas isso vocês já estão carecas de saber...
Com a tempestade da internação de minha mãe, tive que correr para providenciar uma escola que trabalhasse com o sistema de período integral. Para quem nunca sequer pensou nessa possibilidade foi como caminhar às cegas num corredor de informações que eu precisava ter e não tinha. Que escola? Que método de ensino? Quanto custa? É confiável?
Na quarta, após a visita para minha mãe, partimos para uma escolinha que eu não conhecia, mas que tinha pego um cartão de visita em algum lugar e deixei na pastinha de documentos do Arthur. Fui sem conhecer, e de cara Arthur se enfiou no meio de outras crianças. A coordenadora me deu uma aula sobre o "método construtivista" que é o utilizado por eles. O preço não era tão alto como eu achava, mas ainda assim fora de minha atual realidade, pois não estava preparada para despesas extras até o final do ano, pelo menos. No caso, não é mais questão de ser despesa extra. É uma necessidade. E vou ter que dar um jeito, sei lá qual! Gostei da escola, mas achei distante. O acesso só é fácil se for de carro. De ônibus é contra-mão. Saí dali e parti para o pediatra, pois o pequeno tinha consulta marcada. Consultório lotado, e depois de 04 horas de espera fomos atendidos. Valeu cada minuto de espera, pois a Dra. Mônica tirou todas as minhas dúvidas sobre creche, e indicou a que visitamos como sua preferencial, mas nos orientou a visitar outras 05 só para que eu me sinta mais segura. Além disso, conversamos bastante sobre o caso de minha mãe, e ela me tranquilizou de que esses casos de "aumento de coração" é muito mais comum do que a gente pensa. Que a vó dela, inclusive, já tem noventa anos e também tem o coração grande (E depois disso já descobri que até meu sogro tem). Saí de lá bem mais tranquila com tudo o que ouvi: sobre a minha mãe e sobre o desenvolvimento de uma criança numa creche.
No dia seguinte lá fomos nós visitar as outras: uma perto de casa e as outras indicadas pela pediatra. Optamos pela mais próxima, pois a estrutura física nos pareceu melhor, o preço era menor, a prima do Adriano também trabalha lá e ficaria meio que de olho, e a dona da escola (que foi quem nos atendeu) colocaria uma das tias meio que como babá dele, já que não existe outra criança tão pequena quanto ele. Só que no dia seguinte, ao voltarmos prontos para matriculá-lo, quem nos atendeu foi a pedagoga (Graças a Deus!) e nos alertou que não tinham estrutura do ponto de vista pedagógico para aceitá-lo. Que ele até poderia ficar lá, com a babá, mas que seria muito tempo sem atividades voltadas para a idade dele, já que na verdade eles não trabalham com o sistema de creche. Se sensibilizava com nosso caso, mas que não podia nos omitir que o Arthur ia ser um caso "especial" caso insistíssemos em matriculá-lo (pois a dona da escola já tinha dado o aval). Óbvio que agradeci a sinceridade e fui sensata, saindo de lá e correndo para a primeira creche que visitamos, e que por acaso foi a única que o Arthur fez guerra para sair. Tirando o incoveniente da distância, é perfeita. As crianças alegres, receptivas, de cara chamando Arthur para brincar. O tempo que levei na secretaria fazendo a matrícula, questionando sobre tudo, preenchendo um questionário de toda a vida do Arthur, etc, lá ficou ele, na salinha que seria a dele, brincando, nem aí para a mãe que estava lá fora, como se já estivesse estudando.
E assim foi ontem, no primeiro dia de aula. Para iniciar a "minha" adaptação, apenas duas horinhas, que voaram. Arthur brincou no parquinho de areia, brincou de lego, lanchou (comeu bolo com as próprias mãos) e me foi entregue de roupinha trocada. Hoje quem foi na adaptação foi a Deidei Beth, e ele seria liberado às 12h, após o almoço. Na hora que liguei para ela, por volta de 11h ela tinha saído para dar uma volta, e disse que em determinado momento o Arthur a viu, e saiu correndo, acho que por medo dela levá-lo dali.
Acho que antes do previsto a "nossa" adaptação acaba, e ele já vai ficar no período integral, participando de todas as atividades que a escolinha propõe. Sua turma se chama Ninho, e dentre as atividades estão iniciação musical, educação física, horta e banho de borracha. O cardápio é de dar água na boca: massinha ao sugo, strogonofe, panqueca, carne assada, suflê de sei lá o quê, batatinhas coradas, etc. Ou seja, tudo voltado para a idade dele. Ele vai ter um dia inteiro de atividades e vai estar em contato com crianças na mesma faixa etária, o que vai fazer seu desenvolvimento galopar em questão de dias.
Na verdade, se eu pudesse optar, ele continuaria com minha mãe, claro. Mas me baseando pelo que presenciei ontem, e no que ouvi de minha cunhada hoje, acho que ele está muito bem. Meu bebê cresceu mesmo! E se mostra ser uma criança totalmente independente de mim. Isso me dá um alívio danado, em saber que quem precisa da adaptação sou eu, e não ele!
Amanhã volto com fotos.
Aff! Como escrevi!

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