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segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Sobre amamentação

Todo ano a Denise Arcoverde promove a blogagem coletiva em comemoração a Semana Mundial da Amamentação.
Em 2006 eu participei.
Em 2007, sei lá porque motivo, fiquei de fora. Acho que não me lembrei e não devo ter passado em nenhum blog que citava o tema.
Enfim... Volto hoje, dois anos depois, levantando a mesma bandeira.
Acho válido reproduzir meu texto de 2006 (na época Arthur estava com 07 meses):

Desde antes da gestação eu sonhava com o momento em que estaria com meu bebê nos braços e amamentando-o. Na verdade, naquela época, simplesmente achava bonito. Não conhecia ainda a real necessidade. Via apenas cenas de mulheres amamentando e pensava na poesia daquilo. "Nossa! Que ato de amor!" pensava. Mas pensava no ato físico em si.
Amamentar gera um contato entre mãe e filho sim, mas, muito além do contato físico, tem o contato afetivo, o sentimental. O elo que se une após o corte do cordão umbilical. E esse elo, eu só vim a conhecer quando passei a amamentar.
Como mãe de primeira viagem devo dizer que foi muuuuito difícil tampar os ouvidos para as opiniões alheias. Tem uma cena que não vou esquecer nunca: Eu tentando dar o peito, o Arthur não conseguia achar o bico... e chorava... e berrava... de fome tadinho! E eu fiquei mesmo entre a cruz e a espada, com medo de naquele momento saciar a fome dele com NAN e ele se acostumar com a facilidade e rejeitar o peito depois... enfim... Para me "ajudar", um mundo de gente em volta dando palpites "Dá chazinho! Dá NAN! Fulana deu NAN e nem por isso o bebê deixou de pegar o peito depois". O que fiz? Expulsei todo mundo do quarto. E chorei junto com o Arthur. Minha mãe fez o chá para mim e o NAN para o Arthur. Naquele momento não havia realmente outra alternativa. Eu já estava no meu limite e não conseguiria persistir por mais tempo. E também não poderia deixar o bebê berrando para justificar uma vontade minha. Ele não conseguia fazer o bico... nem eu conseguia ajudá-lo. Dei o NAN contra vontade, mas dei. Mas não me martirizei depois. E também não desisti. Na próxima mamada lá estava eu, pronta para uma nova tentativa. Foi muito difícil, mas conseguimos, eu e ele! A partir dali uma nova dificuldade, meus seios ficaram feridos, em carne viva... mas quem disse que mãe sente dor? A dor estaria no meu interior, em não conseguir amamentá-lo por uma dor física, essa a gente supera com uma boa pomada (falar agora parece ser tão fácil...) Algumas vezes tinha mesmo que controlar o meu impulso em arrancá-lo do bico, tamanha a dor... Graças a Deus (acho que só ele mesmo!) conseguia fechar os olhos, morder minha própria mão, mas o mantinha ali.
A dor física resiste até hoje, a pele do meu bico é muito fina, mas óbvio que a dor de hoje nem se compara com a dor do início.
Claro que hoje a sensação é muito diferente. Voltei a trabalhar no quarto mês e não consegui tirar na bomba o suficiente para alimentá-lo por todo o dia. Também sem me martirizar incluí as frutas e as papinhas ainda no seu quarto mês. Durante o dia ele tem 7 refeições. Duas mamadeiras que deixo com leite materno que tiro na bomba. A papinha no almoço e a fruta no lanche da tarde. As demais, ele tira de mim. Não tem nada mais prazeroso no mundo inteiro do que saber que aquele ser tão pequenino te reconhece e sabe que é em você que ele vai se saciar. E enquanto ele se sacia, nossa! Aquele olhar! Como se estivesse mesmo agradecendo por eu ter me esforçado em dar para ele o que de melhor existe, o leite materno. Como se ele conhecesse os benefícios que isso traz para a saúde dele. Mal sabe que na verdade quem tem que agradecer sou eu... pois os benefícios para minha saúde são enormes também. Além disso, estou filé (rs), magrinha como só estive na época de solteira. Quando me perguntam a receita para estar magrinha é simples responder: "Amamente uma criança!"
Se antes eu via o ato de amamentar como poesia física entre mãe e filho, hoje eu ainda acho, mas tenho o sublime prazer de fazer parte da cena como 2ª atriz. Pois o ator principal é sem dúvida alguma, o Arthur!
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Que pena! Acabou mais rápido do que eu queria! Por mim ele ficaria ali por uns dois anos, mas ele não quis. O danadinho "me desmamou" aos dez meses.
Simplesmente me lançou aquele olhar (ah! aquele olhar!) como quem estivesse me agradecendo por todos aqueles meses, como quem diz: "Valeu mãe! Mas eu cresci (embora você não perceba) e preciso seguir meu rumo, outros caminhos..."
E eu sofri. Nossa, como sofri! E continuei insistindo. Na vã tentativa de que ele se arrependesse e voltasse (hahaha - viu como mãe sofre desde o início? - hahaha), mas ele não voltou.
Demorei a me acostumar, confesso. E tinha um medo danado de quebrar aquele vínculo. E quem me lançaria aquele olhar? (Ah! aquele olhar...) Senti como se estivesse órfã. Órfã dos carinhos do meu filho... Mas medo que passou rapidinho. Só o tempo dele descobrir que servia também uma puxadinha de leve na nossa orelha, genética herdada do pai, que fazia o mesmo quando bebê. Lóóóóógico que não é a mesma coisa... nem passa perto... mas que pelo menos serve de consolo. Para mim, somente. Para ele não foi preciso.
Eu fiz o meu melhor. E ganhamos os dois. Um ELO que levaremos para a vida inteira, em TODOS os sentidos.

Essa foto foi tirada no dia que completou 10 meses. Dia em que "me desmamou".
De alguma forma ele soube me "avisar" que seria a última vez e eu pedi que batessem a foto...
Saudades viu? Só vai entender quem já amamentou...

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