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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Otorrino

Na quarta feira passada levamos Arthur no Dr. Pepe, aquele otorrino indicado pela pediatra.
Adriano o havia levado na semana anterior, mas como ele passou os tais exames pra iniciar o tratamento do zero e para isso os ouvidos deveriam estar bem limpos, foi marcado para a quarta feira a tal da lavagem.
Chegamos lá e de cara eu não fui com a cara da recepcionista. Sei lá. Mulher seca, sem graça, fria. Mas, como não é ela a médica, ignorei.
Logo fomos atendidos e nada de conversa ou explicação, ou preparo do que seria a tal lavagem, nada - ou mesmo que tivesse, o cara é peruano, ou colombiano, ou chileno, ou argentino (ele veio de qualquer país da America do Sul, exceto do Brasil) e eu não ia mesmo entender nada do que ele falasse... enfim...
Colocou uma toalha de papel em volta do pescoço do pequeno, pediu que Adriano se sentasse com ele na cadeira e segurasse firme suas pernas e cabeças e que eu segurasse as mãos.
Óbvio que Arthur não ia deixar! Óbvio que aquela toalha de papel não seria suficiente para conter taaaaanta água. Óbvio que ele sairia de lá totalmente encharcado.
Com uma espécie de seringa de metal enorme ele pressiona água morna contra o ouvido e quando a água volta, traz com ela a cera do ouvido.
E ele ia injetando a água, e a água saindo limpa... e eu começando a me questionar o que estávamos fazendo ali.
Só lá pela terceira vez que saiu um pouco. Mas assim... um pouco... nada do que eu imaginei que fosse sair... apenas uns floquinhos de cera que todo mundo deve ter...
Quando passou para o ouvido esquerdo e na quarta tentativa nada de cera tinha saído, eu já estava arrependida de ter começado...
Arthur esperneou tudo o que pôde, tadinho. Fez tanta força que chegou a ficar vermelho.
E o velho lá, calminho. Como se não tivesse pressa para finalizar....
E por fim, depois de tanto berro, ele disse que não tinha saído tudo... que seria necessária uma nova consulta para retirar o que ficou...
"Acho que ele não vai deixar fazer a audiometria, não..."
Como se Arthur fosse a primeira criança atendida por ele a ser resistente a esse tipo de exame...
Sabe quando você não sente firmeza na pessoa? Não senti.
E fiquei traumatizada com meu filho sofrendo tanto...
E saí de lá decidida: não vamos voltar!
E tentei com o Adriano recaptular o porquê de termos ido parar lá.
Ele sempre foi muito bem atendido pelo Dr. Marcelo, o otorrino oficial.
Desde que se trata com ele, aquele resfriado sem fim havia acabado. De fato Arthur ficou um bom tempo a base de rinosoro, apenas como prevenção, exatamente como ele falou que seria. E, apenas quando ele completasse 3 anos e meio ele reavaliaria a necessidade de cirurgia da adenóide.
Um belo dia teve um abcesso no ouvido, que vasou na escola, e como naquele dia Dr. Marcelo não poderia atendê-lo, emergencialmente conseguimos levar no Dr. Pepe, que deu um ótimo atendimento, verdade seja dita.
Comentamos o assunto com a pediatra que, já começando a se incomodar com a fala do Arthur, nos perguntou se não queríamos tentar um tratamento com o Dr. Pepe, uma vez que além de ter maior disponibilidade de tempo, também tem uma filha fonoaudióloga, que já seria acionada caso necessário.
Ansiosa como sou, e vendo que até a pediatra já se incomodava com a (falta de) fala do pequeno, adorei a sugestão. Mas estou crente que seria só chegar lá e de cara ele falaria: "Ele precisa de fono." Mas não. Para assumir o novo paciente ele quer começar do princípio, inclusive com repetição de exames que até já foram feitos, a audiometria para ser mais precisa.
Arthur não é surdo. Disso eu sei. Escuta até muito bem. Ela tinha dias de nascido quando fez audiometria pela primeira vez. Resultado totalmente normal. Mas se o médico queria repetir o exame, tudo bem... Só que a audiometria para a criança de 3 anos não é mesma que fez quando recém nascido.
Primeiro porque tem que preparar os ouvidos com a tal da lavagem. E segundo porque segue o mesmo esquema de audiometria para adultos, onde a gente vai ouvindo os sons e vai retransmitindo para operadora o que está ouvindo. Ora bolas! Se ele não fala, como vai repetir pra mulher o que está ouvindo? Não é incoerente?
Tudo isso para que mesmo hein? Por que ele não fala?
E quem foi que disse que ele não fala? Ele não falava...
Tem uma semana que ele está um tagarela.
- Arthur qué cuco (quer suco)
- qué quejo (quer queijo)
- picoca (pipoca)
- bainha (balinha)
- umguigo (umbigo) da mamãe
- pepalar, acuntar... pow! (preparar, apontar, pow!) com direito a coreografia e tudo, ensinado pela Beth.
E fora o que já falava...
Só que assim... ele só fala quando quer! Não adianta ficar pedindo para ele falar isso ou aquilo, que ele não fala! E de repente, do nada, ele está lá falando... ou com a gente, ou sozinho mesmo...
E é por tudo isso que decidimos: marcaremos consulta com Dr. Marcelo, vamos pedir reavaliação da adenóide para ver a necessidade de cirurgia e vida que segue.

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